Igualdade para brincar

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Colaboração da Ana Lavratti para a Terra da Alegria. 11/11/21 as 11h

Todos bem-vindos, na mesma roda,

que depois se consolida como engrenagem da vida.

Eu cresci no topo de uma montanha… quase encostando a cabeça no teto do depósito que aos olhos daquela menina parecia uma cordilheira.

Sem fim. Sem gelo, muito pelo contrário.

Com o calor emergindo do enredo… das letrinhas dentro dos livros, do colorido dos gibis.

Meu pai, diretor de uma fábrica de papel, recebia toneladas de impressos, descartados pelas bancas, que antes de serem reciclados eram por mim de-vo-ra-dos. E assim eu lia sem parar… até crescer míope… gostando de ler e aprendendo a escrever. Capaz de imaginar cenários, povoando o meu jardim de infância com todo o tipo de gente.

Quem lembra da Luluzinha? Carregava até uma placa“aqui menino não entra”, mas tudo o que fazia era em torno do Bolinha…

Na Turma da Mônica tinha um hippie, o Rolo, e o caipira Chico Bento.

A diversidade não era discurso. Era parte do meu mundo, com personagens tão diferentes, todos com tanto valor.

Nutrida de historinhas, descobri sem perceber, brincando de ler, o que levaria a sério pelo resto da minha vida.

Era esse o meu destino: contar histórias reais, seja na TV, no jornal, em sites, livros e redes sociais.

Contar histórias de pessoas reais, de diferentes origens, raças, crenças, problemas e virtudes, porque o valor de cada um é justamente “não ser igual”. Honrar a sua digital. Única e exclusiva. Honrar seu jeito, até o pequeno defeito que o torna original.

Eu cresci com o Cebolinha, falando tudo “elado”.

Eu cresci com o Cascão, sempre sujo e suado, e ainda assim tão amado.

Eu cresci com um cientista de apenas 9 aninhos. Hoje seria enquadrado como gênio superdotado. Mas no meu tempo era só amigo: o Franjinha da Turma da Mônica.

Eu cresci aceitando as diferenças, porque era essa a essência.

Onde meus dedos pousavam. Onde os olhos repousavam.

E daí pro Jornalismo, foi só virar a página.

Aos 20 anos eu já me despedia da UFSC. Jornalista formada com máquina de escrever. Sim! Uma práxis 20, que vinha com alça, pra carregar por aí.

Mais de 30 anos depois, com novas ferramentas, reafirmo a vocação: já Mestra, também pela UFSC, autora de 6 livros e em vias de lançar mais 4.

Membro da Academia de Letras de Biguaçu, enviada pro exterior como jornalista da Band e da RBS, sou obrigada a me curvar à influência do brincar sobre a vida que escolhi levar.

Daí o meu respeito pelo conceito que permeia cada peça da Joy Joy.

Os brinquedos, em geral, desencadeiam a criatividade, a cognição, as nossas habilidades motoras e de comunicação, mas, cada vez mais, precisam induzir a sensibilidade. Pra criança crescer apta aos novos tempos que vêm aí.

Crescer respeitando a sustentabilidade do planeta… com peças em algodão orgânico, com tingimento natural, laváveis, esterilizáveis e reutilizáveis. Ou seja: podem ser usadas e doadas, poupando a natureza do descarte de plástico e das embalagens em isopor.

Crescer inclusiva, aprendendo a valorizar o que é feito à mão, aquilo em que o outro deposita o coração: do labor individual à força do coletivo. No caso, das costureiras que ganharam uma nova profissão por meio do projeto Cidades Invisíveis, que gera emprego e renda nas comunidades mais vulneráveis.

Crescer direcionada à qualidade de vida, que já começa na comida, no Pomar palpável de pano… pra criança tocar, questionar, se encantar, desenvolvendo a intimidade que depois se traduz no prato, com legumes, verduras e frutas aceitos nas refeições.

São brinquedos únicos, pensados e elaborados para meninas e meninos brincarem juntos, criando um mosaico de memórias que depois – feito conto de fadas, fatalmente – vão impactar em escolhas mais inclusivas, saudáveis e sustentáveis no futuro.

Eu cresci torcendo por uma super-heroína; mulher de cintura fina.

Tinha o cinto dourado, bracelete dourado.

A tiara, também: dourada. Mas virava um bumerangue.

E apesar de todo o luxo, a defesa social era o seu grande trunfo.

Mulher Maravilha dos gibis. Mulher que inspirou minhas crenças, pelo assento que ocupava junto à Liga da Justiça.

Mas também cresci encantada por uma menina gulosa, vestido amarelo e cintura grossa. Cresci com a Magali… aprendendo nos quadrinhos o quanto nos sacia uma fatia de melancia!

Sim, eu posso ser real, sem a coleira de um padrão. Porque desde criança aprendi a ser inclusiva, respeitando em mim e nos outros a valia das diferenças. Todos bem-vindos, na mesma roda, que depois se consolida como engrenagem da vida.

Os brinquedos da nossa infância, explorados sem intenção, guiados pela intuição, são justamente os que preenchem, no compasso do nosso consentimento, os vácuos do coração.

Ana Lavratti, jornalista e escritora

@AnaLavratti; Analavratti.com.br

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A criança e sua capacidade de nos fazer reparar no cotidiano cinza com muito mais cor, delicadeza e poesia nos fez criar a JoyJoyLand, a Terra da Alegria. Nesse espaço de brincadeiras, vemos novas possibilidades, desenvolvemos habilidades, interagimos com empatia e experienciamos a vida de maneira leve e divertida.

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